“Havia uma tribo africana, mais precisamente no Marrocos, que era conhecida pelas outras tribos no deserto como ‘Sangues frios’. Eles eram assim conhecidos pelas formas brutais com as quais matavam seus oponentes em conquistas territoriais. Houve então um dia, sete tribos adversárias se uniram contra os Sangues Frios. Foi uma das mais sangrentas batalhas de todos os tempos, mas os Sangues Frios saíram vencedores. Acontece que, apesar de vencerem a batalha, apenas doze homens sobreviveram. Com medo de serem destruídos em uma batalha seguinte, os Sangues Frios resolveram se sacrificar para não passar pela humilhação da derrota.
“Foi então que, pouco antes do primeiro deles fincar contra o próprio peito a sua espada, que apareceu diante deles Asmodeu. Asmodeu é um dos demônios mais poderosos que existem, e propôs a eles um acordo. Ele lhes concederia força divina e imortalidade, mas em troca cinqüenta por cento de todas as terras conquistadas seria de Asmodeu, e eles iriam sacrificar uma virgem para cada tribo derrotada. O grupo não pensou duas vezes, e se tornaram então imortais. Com o tempo, vários outros guerreiros foram querendo se ajuntar, e com a aprovação de Asmodeu, o grupo de doze logo foi se tornando um exército de mais de trezentos homens. Então a fama dos Sangues frios foi tomando toda a África, até chegar ao Egito. Lá um grupo de uma antiga religião, chamada vampirismo.
“Os vampiristas, membros dessa religião, não confunda com vampiros, Eram antigos sacerdotes Egípcios. Eles também tinham um pacto com Asmodeu, e tinham como principal prática o canibalismo. Ao saberem das conquistas dos Sangues Frios pediram a Asmodeu que lhe dessem esse poderoso exército. Asmodeu relutou, mas, entregou o exército nas mãos dos Vampiristas, e os membros do Exercito passaram a ser então os Vampiros.
“Aos Vampiros foi dado o poder então, que só os Vampiristas tinham, de roubar a almas de seus oponentes. Com isso, os Vampiros se tornaram o exército mais forte de toda a África, e da terra. Ao saber que um exército ameaçava o seu reino, Sigismund, rei da Hungria, e líder da Ordem do Dragão, enviou um então adolescente Vlad III Dacul até o Egito para saber mais sobre esse exército. Vlad se perdeu em meio ao deserto, e implorou então que os espíritos do deserto lhe poupassem a vida. Foi então que Asmodeu lhe apareceu.
“Asmodeu lhe disse, ‘Sei que o reino de Sigismund é o maior que já se viu, eu o quero para mim’. Vlad assustado respondeu, ‘Eu não posso lhe dar esse reino, ele não é meu, por favor, me poupe a vida’. ‘Sei que você não é capaz de me dá o reino, mas, sei que és capaz de me trazer a cabeça de Sigismund em uma bandeja.’. ‘Acho que a cabeça de Sigismund vale um pouco mais do que isso.’. ‘Garoto esperto! O que queres em troca dela então?’. ‘Quero ser mais forte do que todos os Vampiros’.
“Foi então que Vlad III se tornou imortal, e o homem mais poderoso em combate do qual se tem conhecimento, mas sempre fiel ao demônio Asmodeu.”
Robert olhou transtornado para a senhora na sua frente:
- Mas isso foi na idade média, faz séculos já, Drácula nem existe mais.
- Não existe, mas ainda há um forte grupo por ai em nome de Asmodeu.
- E quem seria esse grupo?
- Não sei, mas foi justo investigando isso que Córdoba morreu.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Capitulo 04: O Principe e o Anjo
O cigarro estava por acabar, era também o último do maço. Ele jurava dia pós dia que deixaria o vicio, mas dia pós dia fumava mais. Resolveu entrar na sala, terminou de apagar o cigarro no cinzeiro.
- Sabia que fumar é pecado?
- Quem está ai?
- Eu, aqui – A voz vinha do sofá da sala de Robert na faculdade, a dona da voz era uma moça aparentando ter catorze anos de idade, com um longo vestido azul claro, e um semblante belíssimo.
- Quem é você? O que veio fazer aqui? Como você entrou? E como quer o seu mate?
- Não obrigada, não quero mate. Sou Nadyaiah, sou um anjo guerreiro da segunda companhia, companhia regida por Mikael. Entrei por projeção astral, e vim te trazer uma mensagem.
- Um anjo guerreiro vindo me dá recado? E outra, tenho mestrado em Angeologia, sei bem que Mikael nunca foi anjo guerreiro, nunca teve regimento.
- Bem, o que tenho a lhe dizer é que tem gente interessada em lhe matar, e que a única pessoa que poderia lhe ajudar no momento é Melchzedec.
- Melchzedec? Estais louca? Ele morreu a mais de milênios atrás.
- Não, não, o rei de Salém ainda está vivo.
- E onde ele está?
- Não tenho essa informação pra lhe passar, sinto muito.
- Quem quer me matar?
- Não sei, já disse o que me passaram.
O Anjo virou-se de costas e foi andando em direção à porta, ao passo que ia ficando cada vez mais transparente, até sumir por completo. Robert pegou mais um cigarro.
...
Renato parou frente a porta de Robert, uma placa em prata dizia: “Os anjos dariam tudo para estar em seu lugar”. Se dirigiu pra mais perto da porta, mas antes de bater, uma voz dentro da sala disse: “Entre Renato, não precisa das algemas”. Renato se assustou com isso, e abriu a porta.
- Robert, vim até aqui para lhe dar voz de prisão, você é acusado da morte de Rubens Córdoba.
- E se... eu resistir à prisão?
- Serei obrigado então a usar a força.
- Quantos homens você ai fora? – A voz de Robert tinha um certo tom de sarcasmo.
- Trouxe mais seis soldados comigo. – Renato já falava com certo medo da reação de Robert.
- Era tudo que você tinha?
Robert se levantou, passou por Renato, saiu pela porta, encarou cada um dos soldados da PM que ali estavam guardando a porta. Ninguém tinha coragem de fazer nada contra ele.
Foi até a porta da faculdade, saiu caminhando pelo campus, e entrou em um táxi.
...
- Mariana, preciso falar com você.
- Entre, Robert
Mariana era um cega de cerca de quarenta anos de idade. Trabalhou durante os últimos quinze anos junto à Córdoba em suas pesquisas, e tinha sido quase como uma mãe para Robert.
- Acho que você ficou sabendo sobre a morte do Rubens.
- Sim, Robert, me ligaram.
- Córdoba tinha algum inimigo declarado?
- Não que eu soubesse Robert, não que eu soubesse.
- Mas, como? Tudo indicava morte natural, e hoje foi um detetive até o meu escritório na faculdade com mandado de prisão. Estou sendo acusado de assassinato.
- Que horror, eu sei que você nunca faria isso contra ele. Foi ele quem te ensinou quase tudo o que você sabe.
- O que ele vinha fazendo nesses últimos meses?
- Nada demais, ele estava pesquisando algumas religiões pagãs africanas.
- Quais religiões?
- Não sei ao certo, ele não me deu detalhes dessa vez, queria que eu descansasse. Só sei que tinha algo a ver com vampiros.
- Ah, contra outra, vocês deram pra acreditar em vampiros agora?
- Vai me dizer que ele nunca te falou nada a respeito?
- Não.
- Então sente-se meu filho, tenho muito a lhe explicar sobre esses filhos do demônio.
- Sabia que fumar é pecado?
- Quem está ai?
- Eu, aqui – A voz vinha do sofá da sala de Robert na faculdade, a dona da voz era uma moça aparentando ter catorze anos de idade, com um longo vestido azul claro, e um semblante belíssimo.
- Quem é você? O que veio fazer aqui? Como você entrou? E como quer o seu mate?
- Não obrigada, não quero mate. Sou Nadyaiah, sou um anjo guerreiro da segunda companhia, companhia regida por Mikael. Entrei por projeção astral, e vim te trazer uma mensagem.
- Um anjo guerreiro vindo me dá recado? E outra, tenho mestrado em Angeologia, sei bem que Mikael nunca foi anjo guerreiro, nunca teve regimento.
- Bem, o que tenho a lhe dizer é que tem gente interessada em lhe matar, e que a única pessoa que poderia lhe ajudar no momento é Melchzedec.
- Melchzedec? Estais louca? Ele morreu a mais de milênios atrás.
- Não, não, o rei de Salém ainda está vivo.
- E onde ele está?
- Não tenho essa informação pra lhe passar, sinto muito.
- Quem quer me matar?
- Não sei, já disse o que me passaram.
O Anjo virou-se de costas e foi andando em direção à porta, ao passo que ia ficando cada vez mais transparente, até sumir por completo. Robert pegou mais um cigarro.
...
Renato parou frente a porta de Robert, uma placa em prata dizia: “Os anjos dariam tudo para estar em seu lugar”. Se dirigiu pra mais perto da porta, mas antes de bater, uma voz dentro da sala disse: “Entre Renato, não precisa das algemas”. Renato se assustou com isso, e abriu a porta.
- Robert, vim até aqui para lhe dar voz de prisão, você é acusado da morte de Rubens Córdoba.
- E se... eu resistir à prisão?
- Serei obrigado então a usar a força.
- Quantos homens você ai fora? – A voz de Robert tinha um certo tom de sarcasmo.
- Trouxe mais seis soldados comigo. – Renato já falava com certo medo da reação de Robert.
- Era tudo que você tinha?
Robert se levantou, passou por Renato, saiu pela porta, encarou cada um dos soldados da PM que ali estavam guardando a porta. Ninguém tinha coragem de fazer nada contra ele.
Foi até a porta da faculdade, saiu caminhando pelo campus, e entrou em um táxi.
...
- Mariana, preciso falar com você.
- Entre, Robert
Mariana era um cega de cerca de quarenta anos de idade. Trabalhou durante os últimos quinze anos junto à Córdoba em suas pesquisas, e tinha sido quase como uma mãe para Robert.
- Acho que você ficou sabendo sobre a morte do Rubens.
- Sim, Robert, me ligaram.
- Córdoba tinha algum inimigo declarado?
- Não que eu soubesse Robert, não que eu soubesse.
- Mas, como? Tudo indicava morte natural, e hoje foi um detetive até o meu escritório na faculdade com mandado de prisão. Estou sendo acusado de assassinato.
- Que horror, eu sei que você nunca faria isso contra ele. Foi ele quem te ensinou quase tudo o que você sabe.
- O que ele vinha fazendo nesses últimos meses?
- Nada demais, ele estava pesquisando algumas religiões pagãs africanas.
- Quais religiões?
- Não sei ao certo, ele não me deu detalhes dessa vez, queria que eu descansasse. Só sei que tinha algo a ver com vampiros.
- Ah, contra outra, vocês deram pra acreditar em vampiros agora?
- Vai me dizer que ele nunca te falou nada a respeito?
- Não.
- Então sente-se meu filho, tenho muito a lhe explicar sobre esses filhos do demônio.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Capítulo 03: O Demônio Revelado
26/09/2003
Fazia uma linda noite de luar. A lua nova no céu em seu esplendor amarelo fascinava alguns casais ali presentes. O terraço da casa de Luciano não era dos maiores, mas, vivia lotado de amigos, e naquela noite cerca de trinta pessoas comemoravam, não sabiam o quê, talvez o simples existir.
Luciano era um negro de cabelo raspado, cerca de 1,90 de altura, bem magro e voz bem grossa. Braços fortes, e de uma simpatia sempre notável, onde quer que ele estivesse. Tinha acabado de completar 27 anos, tinha uma filhinha de 4 anos, chamada Clarisse, e morava com a mãe de sua filha, Marcela.
A Casa não era das maiores da região de Itapuã, mas com certeza era a mais animada, pelo menos naquela noite. Fernando tocava velhas canções no violão, e todos se divertiam e riam à vontade.
Aos quinze anos Luciano conheceu o Espiritismo, através de um amigo, e pouco tempo depois uma outra religião europeia, a Wicca. Foi iniciado na Wicca aos dezesseis anos, e logo mostrou muito talento em seus rituais, conseguindo incríveis prodígios, como curar pessoas e até voar. Foi então que aos 18 um senhor lhe ofereceu uma exorbitante quantia em dinheiro para que ele fizesse a filha desistir de se casar com o noivo e se apaixonasse pelo rapaz de quem o dito pai gostava. Ele acabou cedendo, e através de magia fez ao senhor o que ele queria.
Acontece que, tais práticas são condenadas pela Wicca. Nenhuma magia pode fazer alguém ir contra sua própria vontade, e Luciano foi expulso de seu Coven. Irado pela sua expulsão ele jurou vingança, e três dias depois, a sacerdotisa do coven, e mais três membros foram encontrados mortos, sem nenhum grama de sangue no corpo.
Após esse ocorrido, Luciano se juntou a um Coven da Serra. Famoso por usar a dita “magia negra”, e alguns rituais satânicos, ficou conhecido como o “Demônio de Itapoã” por suas crueldades. Alguns ainda o chamavam de “Pai Luciano”, mas ele não tinha quaisquer relações com o Umbanda ou outra religião Africana.
Após anos trabalhando com magia negra ele conheceu Marcela, por quem se apaixonou perdidamente. Os dois começaram a namorar, e seis meses depois ela ficou grávida. Quando Clarisse nasceu os dois resolveram morar juntos. Sempre que ela perguntava de onde vinha o dinheiro dele, e onde ele ia toda sexta-feira de noite, ele desconversava, e conseguia mudar de assunto. Até que ela descobriu no quintal um pequeno altar de um feitiço que Luciano estava fazendo. Ele explicou tudo à ela, que disse a ele que os dois só continuariam juntos se ele deixasse a Bruxaria. Ele se negou e ela saiu de casa.
Dois meses sem Marcela e a filha foi muito para Luciano, que resolveu procurá-la pra dizer que não trabalharia mais com Magia. Ela aceitou retornar pra ele depois de muita insistência, e ele conseguiu montar uma academia com o dinheiro que economizara até ali.
A academia rendia muito no inicio de suas atividades, mas no correr dos anos foi acumulando algumas dividas, que foram pagas com um empréstimo feito no banco, o que só fez a divida aumentar ainda mais. E por isso que Luciano aceitou fazer o trabalho. Mas, sua mulher não poderia saber de nada.
Felipe e Mariana se beijavam freneticamente num canto próximo á escada, foi quando ambos chegaram ao êxtase máximo e resolveram ir para um “algo mais”. Levantaram-se e foram até marcela que servia alguns convidados. Era por volta de 2 horas da manhã. Ele perguntou se havia um quartinho pros dois ficarem mais a vontade. Marcela olhou pros dois, pegou a mão de Mariana, e guiou-os descendo a escada. No segundo andar, virou à esquerda e avistou uma porta. Fez sinal que os dois se sentissem à vontade. Felipe tentou abrir a porta, mas não conseguiu. “Deve estar emperrada, faz tempo que ninguém ai entra”, disse Marcela. Ela forçou um pouco a porta com o corpo, e conseguiu abrir.
No interior do quarto além de uma cama, havia um pentagrama desenhado no chão, no centro do pentagrama a foto de um velho, uma moça de óculos escuros, e dois jovens na casa de seus trinta anos. Ao redor do pentagrama, quatro velas, uma amarela, uma azul, uma vermelha e uma branca. Um copo com sangue animal até a boca, e outros três potes com algumas outras misturas, que não vou dizer quais eram, porque não quero ensinar magia a ninguém aqui, completavam o altar.
Mariana com a mão na boca deu meia volta. Ela junto com o namorado, sem dizer uma única palavra foram descendo a escada. Eles estavam muito assustados com tudo aquilo. Marcela logo virou a cabeça pra cima e gritou:
- Luciano! Venha aqui em baixo agora!
Alguns curiosos com o grito desceram as escadas junto a ele.
- Ai meu Deus! Você... você violou o altar! Droga! Agora... agora o feitiço não dará certo, vou ter de esperar um mês, to ferrado, to ferrado...
- Estais louco Luciano? Você tinha me dito que não faria mais feitiço algum.
Alguns começavam a sair, outros ficavam pra ver a discussão do casal, mas, os que avistavam o que havia dentro do quarto, com certo medo iam se retirando do local. Luciano viu um por um sair, antes de retomar a conversa com Marcela.
- Amor, era necessário, eu precisava do dinheiro.
- Trabalhasse, como todo homem direito!
- Meu bem, a academia... as dividas...
- Vou pegar minhas coisas, eu mais Clarisse vamos sair daqui assim que amanhecer. Você não cumpriu sua parte do acordo. – Marcela começa então a chorar – Eu fui idiota em acreditar num homem como você.
Luciano entrou pra olhar o altar, que havia sido violado. Sua tristeza era visível. Talvez aquele homem estranho pudesse o matar, não sabia mais o que fazer. Após quinze minutos sentado na cama, seu celular toca. Ele resolve atender. A voz do outro lado era a mesma voz do homem que havia contratado o serviço.
- Parabéns meu jovem, acabo de receber a noticia de que Córdoba morreu, agora a pouco.
- Acho que há um engano, senhor.
- Sou eu meu jovem, pode ficar tranqüilo, você está conversando com o seu contratante. O dinheiro será depositado assim que o banco abrir de manhã
- Mas, o altar foi violado, era pra ele morrer quando amanhecesse, e não de noite. Mas, o altar foi violado, e a magia não se cumpre assim, há um engano na sua informação.
A ligação caiu.
Fazia uma linda noite de luar. A lua nova no céu em seu esplendor amarelo fascinava alguns casais ali presentes. O terraço da casa de Luciano não era dos maiores, mas, vivia lotado de amigos, e naquela noite cerca de trinta pessoas comemoravam, não sabiam o quê, talvez o simples existir.
Luciano era um negro de cabelo raspado, cerca de 1,90 de altura, bem magro e voz bem grossa. Braços fortes, e de uma simpatia sempre notável, onde quer que ele estivesse. Tinha acabado de completar 27 anos, tinha uma filhinha de 4 anos, chamada Clarisse, e morava com a mãe de sua filha, Marcela.
A Casa não era das maiores da região de Itapuã, mas com certeza era a mais animada, pelo menos naquela noite. Fernando tocava velhas canções no violão, e todos se divertiam e riam à vontade.
Aos quinze anos Luciano conheceu o Espiritismo, através de um amigo, e pouco tempo depois uma outra religião europeia, a Wicca. Foi iniciado na Wicca aos dezesseis anos, e logo mostrou muito talento em seus rituais, conseguindo incríveis prodígios, como curar pessoas e até voar. Foi então que aos 18 um senhor lhe ofereceu uma exorbitante quantia em dinheiro para que ele fizesse a filha desistir de se casar com o noivo e se apaixonasse pelo rapaz de quem o dito pai gostava. Ele acabou cedendo, e através de magia fez ao senhor o que ele queria.
Acontece que, tais práticas são condenadas pela Wicca. Nenhuma magia pode fazer alguém ir contra sua própria vontade, e Luciano foi expulso de seu Coven. Irado pela sua expulsão ele jurou vingança, e três dias depois, a sacerdotisa do coven, e mais três membros foram encontrados mortos, sem nenhum grama de sangue no corpo.
Após esse ocorrido, Luciano se juntou a um Coven da Serra. Famoso por usar a dita “magia negra”, e alguns rituais satânicos, ficou conhecido como o “Demônio de Itapoã” por suas crueldades. Alguns ainda o chamavam de “Pai Luciano”, mas ele não tinha quaisquer relações com o Umbanda ou outra religião Africana.
Após anos trabalhando com magia negra ele conheceu Marcela, por quem se apaixonou perdidamente. Os dois começaram a namorar, e seis meses depois ela ficou grávida. Quando Clarisse nasceu os dois resolveram morar juntos. Sempre que ela perguntava de onde vinha o dinheiro dele, e onde ele ia toda sexta-feira de noite, ele desconversava, e conseguia mudar de assunto. Até que ela descobriu no quintal um pequeno altar de um feitiço que Luciano estava fazendo. Ele explicou tudo à ela, que disse a ele que os dois só continuariam juntos se ele deixasse a Bruxaria. Ele se negou e ela saiu de casa.
Dois meses sem Marcela e a filha foi muito para Luciano, que resolveu procurá-la pra dizer que não trabalharia mais com Magia. Ela aceitou retornar pra ele depois de muita insistência, e ele conseguiu montar uma academia com o dinheiro que economizara até ali.
A academia rendia muito no inicio de suas atividades, mas no correr dos anos foi acumulando algumas dividas, que foram pagas com um empréstimo feito no banco, o que só fez a divida aumentar ainda mais. E por isso que Luciano aceitou fazer o trabalho. Mas, sua mulher não poderia saber de nada.
Felipe e Mariana se beijavam freneticamente num canto próximo á escada, foi quando ambos chegaram ao êxtase máximo e resolveram ir para um “algo mais”. Levantaram-se e foram até marcela que servia alguns convidados. Era por volta de 2 horas da manhã. Ele perguntou se havia um quartinho pros dois ficarem mais a vontade. Marcela olhou pros dois, pegou a mão de Mariana, e guiou-os descendo a escada. No segundo andar, virou à esquerda e avistou uma porta. Fez sinal que os dois se sentissem à vontade. Felipe tentou abrir a porta, mas não conseguiu. “Deve estar emperrada, faz tempo que ninguém ai entra”, disse Marcela. Ela forçou um pouco a porta com o corpo, e conseguiu abrir.
No interior do quarto além de uma cama, havia um pentagrama desenhado no chão, no centro do pentagrama a foto de um velho, uma moça de óculos escuros, e dois jovens na casa de seus trinta anos. Ao redor do pentagrama, quatro velas, uma amarela, uma azul, uma vermelha e uma branca. Um copo com sangue animal até a boca, e outros três potes com algumas outras misturas, que não vou dizer quais eram, porque não quero ensinar magia a ninguém aqui, completavam o altar.
Mariana com a mão na boca deu meia volta. Ela junto com o namorado, sem dizer uma única palavra foram descendo a escada. Eles estavam muito assustados com tudo aquilo. Marcela logo virou a cabeça pra cima e gritou:
- Luciano! Venha aqui em baixo agora!
Alguns curiosos com o grito desceram as escadas junto a ele.
- Ai meu Deus! Você... você violou o altar! Droga! Agora... agora o feitiço não dará certo, vou ter de esperar um mês, to ferrado, to ferrado...
- Estais louco Luciano? Você tinha me dito que não faria mais feitiço algum.
Alguns começavam a sair, outros ficavam pra ver a discussão do casal, mas, os que avistavam o que havia dentro do quarto, com certo medo iam se retirando do local. Luciano viu um por um sair, antes de retomar a conversa com Marcela.
- Amor, era necessário, eu precisava do dinheiro.
- Trabalhasse, como todo homem direito!
- Meu bem, a academia... as dividas...
- Vou pegar minhas coisas, eu mais Clarisse vamos sair daqui assim que amanhecer. Você não cumpriu sua parte do acordo. – Marcela começa então a chorar – Eu fui idiota em acreditar num homem como você.
Luciano entrou pra olhar o altar, que havia sido violado. Sua tristeza era visível. Talvez aquele homem estranho pudesse o matar, não sabia mais o que fazer. Após quinze minutos sentado na cama, seu celular toca. Ele resolve atender. A voz do outro lado era a mesma voz do homem que havia contratado o serviço.
- Parabéns meu jovem, acabo de receber a noticia de que Córdoba morreu, agora a pouco.
- Acho que há um engano, senhor.
- Sou eu meu jovem, pode ficar tranqüilo, você está conversando com o seu contratante. O dinheiro será depositado assim que o banco abrir de manhã
- Mas, o altar foi violado, era pra ele morrer quando amanhecesse, e não de noite. Mas, o altar foi violado, e a magia não se cumpre assim, há um engano na sua informação.
A ligação caiu.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Capitulo 02: O Demônio de Itapoã
13/09/2003
A Academia estava mais cheia do que de costume. Não eram nem sete horas da manhã ainda, e lá estavam todos cheios de vida, se preparando para mais um dia. Alguns iriam dali para a escola, outros para o trabalho, outros iriam vadiar pelo resto do dia pela Praia da Costa. Luciano não poderia se dar a esse luxo, pelo menos não até meio-dia. Ele tinha de ficar ali tomando conta da academia até meio-dia. Ainda faltavam 5 horas e 7 minutos. Maldita hora que não passava!
O Celular tocou.
- Alô.
- Alô, é o Pai Luciano?
- É o Luciano sim, mas, eu não sou mais Pai.
- Ah, mas tenho certeza que você ainda sabe fazer alguns feitiços. Tenho uma ótima proposta para você.
- Muito obrigado senhor, mas não dá mesmo.
- Bem, eu sei da sua dívida com o banco, acho que posso ajudá-lo com isso.
- Afinal de contas, o que o senhor quer?
- Hum, aceita almoçar comigo? Explico-lhe melhor.
- Onde?
- No Restaurante árabe em Mata da Praia, sabe onde é?
- Sei sim...
- Uma e meia está bom pra você?
- Pode ser, como vou lhe reconhecer? Aliás, qual o seu nome?
- Meu nome é Saulo, e pode deixar que eu te encontro.
...
- Bom dia moça, eu marquei aqui com o Saulo, sabe me dizer se ele já chegou?
- Ele está te esperando na cozinha, queira me acompanhar.
“Cozinha? Isso está começando a ficar estranho”, pensou Luciano, mas ele seguiu a moça até os fundos do restaurante, e entrou na cozinha, passou até o fundo da cozinha, e entrou por uma porta de cor negra. O ambiente parecia um escritório.
- Bom Tarde, Luciano, Puxe uma cadeira e sente.
Luciano sentou-se frente à figura careca que estava diante dele. A recepcionista saiu da sala.
- Você deve estar se perguntando o que eu quero de você, certo? – O velho começou então a falar, assim que a moça saiu.
- Exato.
- Bem, acredito que você veio por causa do dinheiro. Então vou logo explicar, eu quito a divida da academia e lhe dou mais cem mil reais livres para você fazer o que quiser, isso tudo em troca de um pequeno feitiço.
- Pequeno feitiço? Acho que se fosse tão simples assim, você não pagaria tão caro.
- Me parece ser um feitiço simples, mas que precisa ser feito por um especialista, não podemos falhar.
- E quem disse que eu sou um especialista?
- Ora essa, você era considerado o demônio em pessoa! Fazia e desfazia casais, amaldiçoava e abençoava pessoas.
- É, mas eu não sou mais nada disso. Não faço mais trabalho. De espécie alguma.
- Nem pelos cem mil?
- Cem mil e as dividas da academia né?
- Isso!
- Bem, teria de abrir uma exceção num caso desse. Mas, você está dando muitas voltas e não diz que trabalho quer que eu faça. Está começando a ficar suspeito isso. Diga logo o que você quer.
- Simples, eu quero que você mate uma pessoa...
- Está louco? Nunca! Jamais!
- Pense no dinheiro meu jovem. Pense na sua esposa, na sua filhinha.
- Duzentos, duzentos mil.
- Hum, pode ser, mas eu pagarei em duas vezes.
- Quem eu devo matar então? E quanto tempo tenho?
- Bem, eu quero tudo dentro de um mês, sei que as diferentes fases da lua influenciam nisso, então vou lhe dar um mês.
- Ok, e quem é a pessoa?
- Está tudo dentro desse envelope. Foto, nome completo, dia e hora de nascimento, pessoas próximas e todos os dados dessas pessoas.
- Ok, entre em contato comigo de novo quando o serviço tiver sido feito.
- É, e lembre-se que, para todo efeito, a gente nem se conhece hein.
- Pode deixar. Até mais.
- Se ainda não tiveres almoçado, sente em alguma de nossas mesas, por minha conta.
- Obrigado.
Luciano levantou-se da cadeira, fez um sinal de agradecimento com as mãos, disse: “Shalom”, e saiu da sala. O homem careca discou veloz um número no telefone da mesa, e ao ouvir a voz do outro lado da linha disse:
- O rapaz irá fazer. Saiu bem barato, ele aceitou por duzentos mil mais as dividas.
- Ótimo! Chacrinha e Ayrton Senna foram bem mais caros...
A Academia estava mais cheia do que de costume. Não eram nem sete horas da manhã ainda, e lá estavam todos cheios de vida, se preparando para mais um dia. Alguns iriam dali para a escola, outros para o trabalho, outros iriam vadiar pelo resto do dia pela Praia da Costa. Luciano não poderia se dar a esse luxo, pelo menos não até meio-dia. Ele tinha de ficar ali tomando conta da academia até meio-dia. Ainda faltavam 5 horas e 7 minutos. Maldita hora que não passava!
O Celular tocou.
- Alô.
- Alô, é o Pai Luciano?
- É o Luciano sim, mas, eu não sou mais Pai.
- Ah, mas tenho certeza que você ainda sabe fazer alguns feitiços. Tenho uma ótima proposta para você.
- Muito obrigado senhor, mas não dá mesmo.
- Bem, eu sei da sua dívida com o banco, acho que posso ajudá-lo com isso.
- Afinal de contas, o que o senhor quer?
- Hum, aceita almoçar comigo? Explico-lhe melhor.
- Onde?
- No Restaurante árabe em Mata da Praia, sabe onde é?
- Sei sim...
- Uma e meia está bom pra você?
- Pode ser, como vou lhe reconhecer? Aliás, qual o seu nome?
- Meu nome é Saulo, e pode deixar que eu te encontro.
...
- Bom dia moça, eu marquei aqui com o Saulo, sabe me dizer se ele já chegou?
- Ele está te esperando na cozinha, queira me acompanhar.
“Cozinha? Isso está começando a ficar estranho”, pensou Luciano, mas ele seguiu a moça até os fundos do restaurante, e entrou na cozinha, passou até o fundo da cozinha, e entrou por uma porta de cor negra. O ambiente parecia um escritório.
- Bom Tarde, Luciano, Puxe uma cadeira e sente.
Luciano sentou-se frente à figura careca que estava diante dele. A recepcionista saiu da sala.
- Você deve estar se perguntando o que eu quero de você, certo? – O velho começou então a falar, assim que a moça saiu.
- Exato.
- Bem, acredito que você veio por causa do dinheiro. Então vou logo explicar, eu quito a divida da academia e lhe dou mais cem mil reais livres para você fazer o que quiser, isso tudo em troca de um pequeno feitiço.
- Pequeno feitiço? Acho que se fosse tão simples assim, você não pagaria tão caro.
- Me parece ser um feitiço simples, mas que precisa ser feito por um especialista, não podemos falhar.
- E quem disse que eu sou um especialista?
- Ora essa, você era considerado o demônio em pessoa! Fazia e desfazia casais, amaldiçoava e abençoava pessoas.
- É, mas eu não sou mais nada disso. Não faço mais trabalho. De espécie alguma.
- Nem pelos cem mil?
- Cem mil e as dividas da academia né?
- Isso!
- Bem, teria de abrir uma exceção num caso desse. Mas, você está dando muitas voltas e não diz que trabalho quer que eu faça. Está começando a ficar suspeito isso. Diga logo o que você quer.
- Simples, eu quero que você mate uma pessoa...
- Está louco? Nunca! Jamais!
- Pense no dinheiro meu jovem. Pense na sua esposa, na sua filhinha.
- Duzentos, duzentos mil.
- Hum, pode ser, mas eu pagarei em duas vezes.
- Quem eu devo matar então? E quanto tempo tenho?
- Bem, eu quero tudo dentro de um mês, sei que as diferentes fases da lua influenciam nisso, então vou lhe dar um mês.
- Ok, e quem é a pessoa?
- Está tudo dentro desse envelope. Foto, nome completo, dia e hora de nascimento, pessoas próximas e todos os dados dessas pessoas.
- Ok, entre em contato comigo de novo quando o serviço tiver sido feito.
- É, e lembre-se que, para todo efeito, a gente nem se conhece hein.
- Pode deixar. Até mais.
- Se ainda não tiveres almoçado, sente em alguma de nossas mesas, por minha conta.
- Obrigado.
Luciano levantou-se da cadeira, fez um sinal de agradecimento com as mãos, disse: “Shalom”, e saiu da sala. O homem careca discou veloz um número no telefone da mesa, e ao ouvir a voz do outro lado da linha disse:
- O rapaz irá fazer. Saiu bem barato, ele aceitou por duzentos mil mais as dividas.
- Ótimo! Chacrinha e Ayrton Senna foram bem mais caros...
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Capítulo 01: O Príncipe Caçador
12/09/2003
O sangramento na perna ainda iria lhe custar muito caro. De caçador, aos poucos, ele se tornava a presa. Passa a mão na panturrilha mais uma vez, vê-la banhada em sangue. Segura a respiração, pois o cérebro trabalha melhor quando não estamos respirando.
Pôs os braços cruzados por sobre o peito, e abaixou a cabeça. Cinco metros. Essa era a distância da besta até ele. Cinco metros, e ela estava à sua esquerda. Ela parecia cansada também.
A besta começou a recuar. Seis, sete metros talvez fossem a nova distância. Robert pensou consigo: “Ou eu ataco agora ou ela vem para cima de mim primeiro, e aí eu estarei morto”. Pegou a shortgun, olhou a munição, apenas mais um tiro. Saiu de trás da pedra onde estava, correu em direção à besta. Passou por onde se encontrava tal ameaçadora criatura, deu um salto girando o corpo para trás e disparou, enquanto pairava no ar.
A besta desviou do tiro, mas ficou presa no ar. Robert, com o braço esquerdo estendido, mantinha-a levitando. Ela o olhou, fez um gesto obsceno mostrando o dedo médio da mão esquerda e logo se desvencilhou de Robert jogando o corpo pra trás.
A besta então se virou para esquerda e se pôs a correr em meio à plantação. Robert pôs a mão na perna novamente, pensou em parar por ali, mas reanimou-se e começou a correr também. Robert corria como um louco, a cada cinco ou seis passos dava um salto e atirava uma esfera densa de ar contra a besta. O quinto tiro colocou a abaixo.
- Com essa já são oito, Coronel Ferreira.
- Edwiges, me explica direito, meu filho, o que seriam esses bichos que estão tomando conta das plantações, aqui, de Belo Jardim? Alguns dizem que são lobisomens, outros dizem que é o chupa-cabra, houve até quem dissesse que isso seria o próprio Capeta.
- Não, não é o Capeta, mas é quase – Robert dizia aos risos, o sotaque nordestino sempre lhe foi fascinante e ao mesmo tempo engraçado – Esses seres são oferendas a deuses pagãos; é como se fossem animais de novo.
- Isso ai já foi humano? – perguntou Ferreira, apontando para uma das jaulas.
- Sim, e era uma bela mulher, estava lendo a mente dela agora há pouco.
- Você realmente é capaz de ler mentes, meu jovem?
- Sim, infelizmente...
Ainda faltava mais um, só mais um, e aquela “excursão” pelo interior de Pernambuco terminaria. A perna estava enfaixada, mas doía, doía muito. Aquela poderia já ser a quinta noite que ele não dormia direito, as olheiras se faziam cada vez mais presentes, mas ali estava ele com a caminhonete emprestada rondando a plantação de milho.
O sangramento na perna ainda iria lhe custar muito caro. De caçador, aos poucos, ele se tornava a presa. Passa a mão na panturrilha mais uma vez, vê-la banhada em sangue. Segura a respiração, pois o cérebro trabalha melhor quando não estamos respirando.
Pôs os braços cruzados por sobre o peito, e abaixou a cabeça. Cinco metros. Essa era a distância da besta até ele. Cinco metros, e ela estava à sua esquerda. Ela parecia cansada também.
A besta começou a recuar. Seis, sete metros talvez fossem a nova distância. Robert pensou consigo: “Ou eu ataco agora ou ela vem para cima de mim primeiro, e aí eu estarei morto”. Pegou a shortgun, olhou a munição, apenas mais um tiro. Saiu de trás da pedra onde estava, correu em direção à besta. Passou por onde se encontrava tal ameaçadora criatura, deu um salto girando o corpo para trás e disparou, enquanto pairava no ar.
A besta desviou do tiro, mas ficou presa no ar. Robert, com o braço esquerdo estendido, mantinha-a levitando. Ela o olhou, fez um gesto obsceno mostrando o dedo médio da mão esquerda e logo se desvencilhou de Robert jogando o corpo pra trás.
A besta então se virou para esquerda e se pôs a correr em meio à plantação. Robert pôs a mão na perna novamente, pensou em parar por ali, mas reanimou-se e começou a correr também. Robert corria como um louco, a cada cinco ou seis passos dava um salto e atirava uma esfera densa de ar contra a besta. O quinto tiro colocou a abaixo.
- Eu quero te levar viva, mas nada me impede de mudar de ideia, então quede parada enquanto eu te amarro e levo para caminhonete – esbravejou Robert, enquanto a amarrava.
...
- Com essa já são oito, Coronel Ferreira.
- Edwiges, me explica direito, meu filho, o que seriam esses bichos que estão tomando conta das plantações, aqui, de Belo Jardim? Alguns dizem que são lobisomens, outros dizem que é o chupa-cabra, houve até quem dissesse que isso seria o próprio Capeta.
- Não, não é o Capeta, mas é quase – Robert dizia aos risos, o sotaque nordestino sempre lhe foi fascinante e ao mesmo tempo engraçado – Esses seres são oferendas a deuses pagãos; é como se fossem animais de novo.
- Isso ai já foi humano? – perguntou Ferreira, apontando para uma das jaulas.
- Sim, e era uma bela mulher, estava lendo a mente dela agora há pouco.
- Você realmente é capaz de ler mentes, meu jovem?
- Sim, infelizmente...
...
Ainda faltava mais um, só mais um, e aquela “excursão” pelo interior de Pernambuco terminaria. A perna estava enfaixada, mas doía, doía muito. Aquela poderia já ser a quinta noite que ele não dormia direito, as olheiras se faziam cada vez mais presentes, mas ali estava ele com a caminhonete emprestada rondando a plantação de milho.
Robert tinha trinta e três anos, entretanto aparentava ser um pouco mais novo. Cabelos curtos e lisos, castanho escuro. Pele bem branca, barba sempre por fazer, nariz “um pouco maior que o usual”, como definiria Córdoba, que, por sua vez, era dono de um baita narigão. A camisa trazia seus dois botões superiores abertos. Ele era alto, 1,85m. Pesava quase oitenta e sete quilos. Os óculos de armação bem simples eram o único indício de que ali ia um intelectual. Os nordestinos o chamavam de “Doutor” em sinal de respeito, mas muitos ali não sabiam o real significado disso. Muitos não haviam nem sequer concluído o ensino fundamental. Volta e meia, naquela ronda, ele pensava: “Estudei os últimos trinta anos de minha vida, afinco, pra quê? Olha aonde eu vim parar! No meio do mato correndo atrás de macumba mal-feita.” Da terceira vez que pensou isso, ele bateu em algo. Algo bem grande.
Era a nona, e última das bestas. As bestas que Robert estava caçando em Belo Jardim são seres bem parecidos com os lobisomens das histórias norte-americanas. Cerca de dois metros de altura, orelhas pontudas, corpo peludo, força descomunal. As únicas diferenças é que eles nunca sofriam metamorfose com a lua e não havia bala de prata que matasse esses bichos.
A besta olhou para Robert dentro do carro, e se preparou para pular em cima do capô, mas Robert mais que depressa ligou as luzes do farol, o que fez a besta levar os braços frente ao rosto. Quando se virou para trás e retirou o braço do rosto, a única coisa que pode ver foi Robert enfiando uma seringa em seu braço e dizendo: “Boa noite!”.
...
Foi muito difícil dormir naquela noite. Robert revirava na cama. Ele odiava dormir fora de casa, e fazia um calor infernal em Pernambuco. Por volta das duas da manhã, ele sentiu uma dor de cabeça insustentável. Ele não sentia tamanha dor de cabeça fazia dezesseis anos.
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cap 01 O Príncipe Caçador
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Prólogos: "A Casa de Amanda"
Os quatro prólogos a seguir são fragmentos da História "A Casa de Amanda", que estreia em março do ano que vem. Eles servem para se ter uma leve noção do que foi a juventude de Robert. Espero que vocês gostem da história, próximo capitulo na segunda-feira. A partir de então teremos um capitulo a cada segunda.
Prólogo Um: A casa de Loucos
05/08/1987
Sua vista ficou negra de repente, ele já não conseguia mais enxergar nada. Uma forte dor de cabeça tomou-lhe conta e, em um nuance, começou a ouvir, mentalmente, as vozes de todos à sua volta. A Júlia estava pensando no novo disco do Michael Jackson, o Jorge pensava em seu novo videogame e outros dezesseis adolescentes ali presentes pensavam em sexo. Se tivesse se concentrado um pouco mais saberia que a professora de gramática estava tendo um caso com o dono da farmácia.
05/08/1987
Sua vista ficou negra de repente, ele já não conseguia mais enxergar nada. Uma forte dor de cabeça tomou-lhe conta e, em um nuance, começou a ouvir, mentalmente, as vozes de todos à sua volta. A Júlia estava pensando no novo disco do Michael Jackson, o Jorge pensava em seu novo videogame e outros dezesseis adolescentes ali presentes pensavam em sexo. Se tivesse se concentrado um pouco mais saberia que a professora de gramática estava tendo um caso com o dono da farmácia.
Num impulso, ele tentou por as mãos nos ouvidos, como se isso o fizesse parar de ouvir tantas vozes. Mariana, que estava na cadeira ao lado da sua, percebendo que o amigo estava passando mal resolveu tentar socorrê-lo, mas ao encostar a mão em seu braço sentiu que estava quente. Não quente como quem tem trinta e nove ou quarenta graus de febre, quente como se ali estivesse fervendo a água do café.
Ela logo tirou a mão de cima de seu braço; as canetas que estavam em cima de sua cadeira, da cadeira dele e de mais umas vinte cadeiras começaram a levitar e depois rodavam em volta do corpo de Roberto, ao passo que todos os presentes na sala, inclusive a professora de gramática, se afastavam dele e iam para o outro canto da sala.
Duas, depois mais duas e, por fim, outras cinco cadeiras saíram do chão e se chocaram contra a parede. Antes doía apenas a cabeça, agora doía o corpo inteiro. Antes ele ouvia apenas os colegas de classe, agora ele ouvia o bairro inteiro - e o dono da padaria estava adulterando a balança do pão francês. Ele não sabia ao certo onde estava, pois ao mesmo tempo em que ele era Roberto, era também Mariana, Júlia e Jorge. Deu dois passos de bêbado; caiu no chão.
Os objetos, que antes pairavam no ar, caíram com ele e ninguém estava entendendo mais nada.
Os objetos, que antes pairavam no ar, caíram com ele e ninguém estava entendendo mais nada.
...
Ele acordou com uma dor de cabeça ainda mais forte do que a anterior, mas seu corpo estava frio. Vários fios estavam ligados ao seu corpo e cabeça. Máquinas ao seu lado monitoravam batimentos e outros sinais vitais. Vozes estranhas do lado de fora da sala.
Fora da sala, um senhor calvo se aproximou dos pais de Roberto:
- A atividade neural de seu filho está bastante anormal, cerca de oito vezes acima do normal. Por conta disso, o corpo esquenta muito e já registramos temperatura corpórea acima dos cinqüenta graus.
...
Fora da sala, um senhor calvo se aproximou dos pais de Roberto:
- A atividade neural de seu filho está bastante anormal, cerca de oito vezes acima do normal. Por conta disso, o corpo esquenta muito e já registramos temperatura corpórea acima dos cinqüenta graus.
- Meu Deus! O que meu filho tem, doutor? – Perguntava Dona Ivone, aflita.
- Não sabemos ainda, minha senhora, mas talvez tenhamos que enviá-lo ao Rio de Janeiro. Aqui, em Brusque, não temos médicos especializados nesse tipo de anormalidade. Eu, pessoalmente, nunca havia presenciado um caso desse.
Já eram duas da manhã, o casal Almeida ia abrindo a porta de casa quando ouviu o telefone tocar. Do outro lado da linha uma voz grave disse:
...
Já eram duas da manhã, o casal Almeida ia abrindo a porta de casa quando ouviu o telefone tocar. Do outro lado da linha uma voz grave disse:
- Eu tenho a cura para o seu filho.
Prólogo Dois: A Casa de Pedra
11/03/1988
11/03/1988
- Estais preso aqui há quanto tempo?
- Desde o último mês de Agosto. Nem pude ver os fogos de artifício do Ano Novo.
- Acho que aqui, na Irlanda, ninguém solta fogos de artifício...
- Soltam sim, eu ouvi os sons.
- Deve ser angustiante ficar nesse quarto escuro...
- Por que não consigo ler sua mente?
- Por que gostaria de lê-la?
- Queria saber o que você quer comigo e como chegou até aqui.
- E por que, simplesmente, não pergunta?
- Quem é você?
- Alguém que vai comprar a sua alforria.
- Não sabia que estava a venda...
- Você já foi a um circo?
- Uma vez, quando eu era pequeno.
- Já ouviu falar em Carolina Edwiges?
- Já a vi na TV uma vez, é uma famosa paranormal, a Rainha de Montevideo! Uma vez, eu a vi fazer flutuar um carro forte.
- Ela era minha irmã, trabalhou no meu circo.
- Era?
- Ela faleceu no último mês. Você não viu nos jornais porque estava preso aqui em baixo.
- Como você vai me tirar daqui?
- Já disse, irei te comprar.
- Quanto você vai pagar?
- Já paguei. Eu dei Balmung em sua troca.
- Balmung?
- Sim, é uma espada.
- Ele deixou você me libertar por causa de uma espada?
- Não é uma espada qualquer, é a espada que foi feita a partir da espada de Odin, a lendária Gram.
- Nossa, ela deve ser uma espada muito valiosa; por que você a deu assim em minha troca?
- Porque ela era falsa. À propósito, meu nome é Córdoba
Ele desceu do carro logo após Córdoba tê-lo desligado. Eles estavam diante da maior casa de toda a cidade de Montevideo; algo lhe chamava muito a atenção: toda a fachada da casa era feita de pedra. Ao entrar, ele pôde ver que toda a casa era feita de pedra.
- Desde o último mês de Agosto. Nem pude ver os fogos de artifício do Ano Novo.
- Acho que aqui, na Irlanda, ninguém solta fogos de artifício...
- Soltam sim, eu ouvi os sons.
- Deve ser angustiante ficar nesse quarto escuro...
- Por que não consigo ler sua mente?
- Por que gostaria de lê-la?
- Queria saber o que você quer comigo e como chegou até aqui.
- E por que, simplesmente, não pergunta?
- Quem é você?
- Alguém que vai comprar a sua alforria.
- Não sabia que estava a venda...
- Você já foi a um circo?
- Uma vez, quando eu era pequeno.
- Já ouviu falar em Carolina Edwiges?
- Já a vi na TV uma vez, é uma famosa paranormal, a Rainha de Montevideo! Uma vez, eu a vi fazer flutuar um carro forte.
- Ela era minha irmã, trabalhou no meu circo.
- Era?
- Ela faleceu no último mês. Você não viu nos jornais porque estava preso aqui em baixo.
- Como você vai me tirar daqui?
- Já disse, irei te comprar.
- Quanto você vai pagar?
- Já paguei. Eu dei Balmung em sua troca.
- Balmung?
- Sim, é uma espada.
- Ele deixou você me libertar por causa de uma espada?
- Não é uma espada qualquer, é a espada que foi feita a partir da espada de Odin, a lendária Gram.
- Nossa, ela deve ser uma espada muito valiosa; por que você a deu assim em minha troca?
- Porque ela era falsa. À propósito, meu nome é Córdoba
...
Ele desceu do carro logo após Córdoba tê-lo desligado. Eles estavam diante da maior casa de toda a cidade de Montevideo; algo lhe chamava muito a atenção: toda a fachada da casa era feita de pedra. Ao entrar, ele pôde ver que toda a casa era feita de pedra.
PrólogoTrês: A Casa de Odin
12/05/1990
- Gostaria de falar com o professor Afrânio Camargo.
- Ele está em aula.
- Diga que é urgente; diga a ele que o Príncipe de Montevideo está aqui.
- Eu sei bem quem é você, meu jovem. Eu te vi domingo, na TV, mas o doutor Afrânio está ocupado. Agora ele não tem tempo para mágicos ou charlatões, volte no horário de almoço que eu verei se ele pode atendê-lo.
- Charlatão? Tudo bem... Vou provar para você que não sou charlatão, mas em troca você vai me deixar ver o professor.
- Como assim?
- Que tal uma aposta? Está vendo esse pingente? – Robert puxou de dentro da camisa seu cordão com símbolo da escola pitagórica, um pentagrama – É ouro maciço. Eu aposto ele com você, se você ganhar, ele é seu, se eu ganhar, você me deixa entrar.
- E como seria a aposta?
- Simples. Você vai escolher um número qualquer, com quantos dígitos você quiser e com vírgula, inclusive, se assim desejares. Se eu acertar o número, eu ganho, se eu errar, você ganha.
- Hum, já pensei, quer que eu anote?
- Não precisa, eu confio em você.
- Então, qual foi o número que eu pensei?
- 60,17
Ela olhou pasma para o homem na sua frente, pegou a chave da porta que dava acesso ao corredor e o chamou:
- Vem comigo, é por aqui.
- Diga, meu jovem, o que deseja?
- Ouvi dizer que o senhor é o maior pesquisador de mitologia no Brasil.
- Bem, eu sou apenas um apaixonado, não sei se seria o maior pesquisador, mas devo ser um dos que mais ama a mitologia.
- Pois bem, o que você sabe sobre Valhala?
- Veja bem, Valhala era um palácio construído por Odin que abrigava as almas dos guerreiros que morriam em combate. Era uma espécie de paraíso dos Vikings, mas, na verdade, serviu para recrutar guerreiros para a batalha de Ragnarok.
- Como eu chego lá?
Afrânio deu uma leve risada, e depois continuou:
- Isso tudo é mitologia, meu jovem. Valhala nunca existiu.
- Fui enviado por Córdoba aqui, doutor Afrânio.
- Irmão de Edwiges?
- O próprio.
- Algo me diz, que um dia, irei me arrepender muito disso tudo – Afrânio se levantou, pegou um mapa da Islândia, mostrou a ele um ponto no mapa, fez um X no local que apontava e anotou em um pedaço de papel um endereço.
- Fico muito grato, doutor Afrânio – Robert se levantou então e já ia saindo da sala.
- Espere, como você pretende entrar em Valhala?
- Essa parte eu não sei ainda.
- Venha jantar comigo e com meu irmão logo mais à noite, poderemos ver isso melhor.
- Não tenho tempo, professor, tenho que ir logo a Valhala.
- O que não pode é você morrer bem na porta. Acredite, acharemos uma solução.
A casa parecia bem simples por fora. Robert tocou a campainha três vezes; esperou cerca de cinco minutos; quando ia tocar a campainha de novo a porta se abriu.
- Boa noite, você deve ser o Robert.
Era uma das mulheres mais lindas que ele tinha visto em toda a sua vida. Era quase tão bela quanto Amanda ou Ártemis. Parecia também ser muito jovem para ser esposa de Afrânio, não devia ter nem vinte anos ainda.
- Oi, eu sou Camila. Meu pai contou que você vinha jantar com a gente, ele não chegou ainda da faculdade, mas vamos, entre.
Robert entrou junto com ela. Ela lhe ofereceu uma cadeira; ele sentou se.
- O prato de hoje vai ser estrogonofe, gosta?
- Sim, muito.
- Hein, você me faz um favor? Eu não consigo alcançar em cima do armário, você pega o balde de gelo para mim?
- Sim, claro.
Ele pôs o balde em cima da mesa e ela despejou o gelo que acabara de tirar do congelador. Logo após, pôs um pano sobre a mesa e pegou a panela em cima do fogão, pondo-a em seguida sobre o pano.
- Meu pai costuma se atrasar, mas dessa vez ele passou um pouquinho da conta.
- Não tem problema, eu só consegui vôo para de manhã mesmo.
- É, mas desse jeito a comida vai esfriar.
- E o gelo derreter... – Robert falou com um pequeno riso.
- Pois é, não seria tão melhor se fosse o contrário? Se com o tempo a bebida fosse ficando cada vez mais gelada e a comida mais quente?
Robert olhou a por um tempo calado e logo em seguida levantou-se depressa da mesa.
- Muito obrigado, muito obrigado mesmo. Você acaba de me ensinar como entrar em Valhala. Preciso ir indo. Sempre serei gato a ti.
- Mas...
- Na volta eu te explico, eu vou voltar aqui em breve com a espada Gram em mãos e na companhia de minha amada. Muito obrigado!
12/05/1990
- Gostaria de falar com o professor Afrânio Camargo.
- Ele está em aula.
- Diga que é urgente; diga a ele que o Príncipe de Montevideo está aqui.
- Eu sei bem quem é você, meu jovem. Eu te vi domingo, na TV, mas o doutor Afrânio está ocupado. Agora ele não tem tempo para mágicos ou charlatões, volte no horário de almoço que eu verei se ele pode atendê-lo.
- Charlatão? Tudo bem... Vou provar para você que não sou charlatão, mas em troca você vai me deixar ver o professor.
- Como assim?
- Que tal uma aposta? Está vendo esse pingente? – Robert puxou de dentro da camisa seu cordão com símbolo da escola pitagórica, um pentagrama – É ouro maciço. Eu aposto ele com você, se você ganhar, ele é seu, se eu ganhar, você me deixa entrar.
- E como seria a aposta?
- Simples. Você vai escolher um número qualquer, com quantos dígitos você quiser e com vírgula, inclusive, se assim desejares. Se eu acertar o número, eu ganho, se eu errar, você ganha.
- Hum, já pensei, quer que eu anote?
- Não precisa, eu confio em você.
- Então, qual foi o número que eu pensei?
- 60,17
Ela olhou pasma para o homem na sua frente, pegou a chave da porta que dava acesso ao corredor e o chamou:
- Vem comigo, é por aqui.
...
- Diga, meu jovem, o que deseja?
- Ouvi dizer que o senhor é o maior pesquisador de mitologia no Brasil.
- Bem, eu sou apenas um apaixonado, não sei se seria o maior pesquisador, mas devo ser um dos que mais ama a mitologia.
- Pois bem, o que você sabe sobre Valhala?
- Veja bem, Valhala era um palácio construído por Odin que abrigava as almas dos guerreiros que morriam em combate. Era uma espécie de paraíso dos Vikings, mas, na verdade, serviu para recrutar guerreiros para a batalha de Ragnarok.
- Como eu chego lá?
Afrânio deu uma leve risada, e depois continuou:
- Isso tudo é mitologia, meu jovem. Valhala nunca existiu.
- Fui enviado por Córdoba aqui, doutor Afrânio.
- Irmão de Edwiges?
- O próprio.
- Algo me diz, que um dia, irei me arrepender muito disso tudo – Afrânio se levantou, pegou um mapa da Islândia, mostrou a ele um ponto no mapa, fez um X no local que apontava e anotou em um pedaço de papel um endereço.
- Fico muito grato, doutor Afrânio – Robert se levantou então e já ia saindo da sala.
- Espere, como você pretende entrar em Valhala?
- Essa parte eu não sei ainda.
- Venha jantar comigo e com meu irmão logo mais à noite, poderemos ver isso melhor.
- Não tenho tempo, professor, tenho que ir logo a Valhala.
- O que não pode é você morrer bem na porta. Acredite, acharemos uma solução.
...
A casa parecia bem simples por fora. Robert tocou a campainha três vezes; esperou cerca de cinco minutos; quando ia tocar a campainha de novo a porta se abriu.
- Boa noite, você deve ser o Robert.
Era uma das mulheres mais lindas que ele tinha visto em toda a sua vida. Era quase tão bela quanto Amanda ou Ártemis. Parecia também ser muito jovem para ser esposa de Afrânio, não devia ter nem vinte anos ainda.
- Oi, eu sou Camila. Meu pai contou que você vinha jantar com a gente, ele não chegou ainda da faculdade, mas vamos, entre.
Robert entrou junto com ela. Ela lhe ofereceu uma cadeira; ele sentou se.
- O prato de hoje vai ser estrogonofe, gosta?
- Sim, muito.
- Hein, você me faz um favor? Eu não consigo alcançar em cima do armário, você pega o balde de gelo para mim?
- Sim, claro.
Ele pôs o balde em cima da mesa e ela despejou o gelo que acabara de tirar do congelador. Logo após, pôs um pano sobre a mesa e pegou a panela em cima do fogão, pondo-a em seguida sobre o pano.
- Meu pai costuma se atrasar, mas dessa vez ele passou um pouquinho da conta.
- Não tem problema, eu só consegui vôo para de manhã mesmo.
- É, mas desse jeito a comida vai esfriar.
- E o gelo derreter... – Robert falou com um pequeno riso.
- Pois é, não seria tão melhor se fosse o contrário? Se com o tempo a bebida fosse ficando cada vez mais gelada e a comida mais quente?
Robert olhou a por um tempo calado e logo em seguida levantou-se depressa da mesa.
- Muito obrigado, muito obrigado mesmo. Você acaba de me ensinar como entrar em Valhala. Preciso ir indo. Sempre serei gato a ti.
- Mas...
- Na volta eu te explico, eu vou voltar aqui em breve com a espada Gram em mãos e na companhia de minha amada. Muito obrigado!
E Robert saiu mais que depressa da pequena casa, feliz por ter encontrado uma resposta.
Prólogo Quatro: A Casa de Amanda
13/05/1990
Aquela era uma data engraçada. 13 de maio era exatamente o dia da comemoração da assinatura da lei áurea e lá estava ele em busca de uma libertação. Ele só não sabia se buscava sua própria liberdade ou a dela.
13/05/1990
Aquela era uma data engraçada. 13 de maio era exatamente o dia da comemoração da assinatura da lei áurea e lá estava ele em busca de uma libertação. Ele só não sabia se buscava sua própria liberdade ou a dela.
Uma névoa cercava todo o quarteirão. Fazia muito frio no local. A porta estava entreaberta. Ele ficou temeroso, mas mesmo assim entrou, pisou em uma madeira podre. A madeira quebrou e ele começou a cair.
Caiu durante cerca de quinze minutos. Ao chegar finalmente ao chão, bateu a cabeça e ficou desacordado.
Levantou-se meio zonzo, sua cabeça doía um pouco. Olhou ao seu redor, estava cercado de dezenas, talvez centenas, de espelhos.
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prólogos de A Casa de Amanda
sábado, 11 de julho de 2009
As Crônicas de Robert Edwiges
Quando os detetives Renato Alcântara e Felipe Ramos descobrem o corpo do Magnata Rubens Córdoba caído em seu apartamento, sem qualquer sinal de luta, e sem nenhum grama de sangue em suas veias, as suspeitam caem sobre uma única pessoa: Robert Edwiges, um famoso hipnólogo paranormal, Que havia sido aluno de Rubens durante os últimos quinze anos.
A Robert só resta provar a sua inocência e encontrar o assassino de seu professor, antes que ele o encontre.
Essa é a primeira de três histórias sobre o nosso heroi, e começa a ser contada no dia 05/08/2009, nesse blog.
Nesse dia, teremos os quatro capitulos iniciais da trama, que contarão um pouco da juventude de Robert.
Então, a partir do dia 10/08/2009 teremos toda segunda-feira um novo capítulo.
A segunda História, que tem como título "A Casa de Amanda" começa a ser contada em Março de 2010, e a terceira história "A Última Carta" começa a ser contada em maio de 2011. Elas também serão contadas em blogs.
Espero que vocês se divirtam com essas deliciosas histórias!
Até mais!
A Robert só resta provar a sua inocência e encontrar o assassino de seu professor, antes que ele o encontre.
Essa é a primeira de três histórias sobre o nosso heroi, e começa a ser contada no dia 05/08/2009, nesse blog.
Nesse dia, teremos os quatro capitulos iniciais da trama, que contarão um pouco da juventude de Robert.
Então, a partir do dia 10/08/2009 teremos toda segunda-feira um novo capítulo.
A segunda História, que tem como título "A Casa de Amanda" começa a ser contada em Março de 2010, e a terceira história "A Última Carta" começa a ser contada em maio de 2011. Elas também serão contadas em blogs.
Espero que vocês se divirtam com essas deliciosas histórias!
Até mais!
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